quinta-feira, 3 de maio de 2012

Pe. Rufus Pereira - Nota de Falecimento

11:31 Pe. Mateus Maria No comments

Faleceu enquanto dormia, nesta madrugada 03/05/2012 de parada cardíaca, o grande pregador indiano, Padre Rufus. Que Deus o receba na morada eterna dos anjos e santos. A informação foi divulgada hoje pela secretária do sacerdote, Érika Gibello.

O sacerdote estava em sua residência em Londres, na Inglaterra, durante esta semana e aparentava estar bem, segundo divulgou a Irmã Kelly Patrícia, do Instituto Hesed, em suas redes sociais. A religiosa esteve com ele no último sábado, 28, e disse que ele "estava radiante, muito feliz".

O corpo de padre Rufus permanecerá na Inglaterra até que terminem os preparativos para levá-lo à Índia, onde será sepultado. A data ainda não foi divulgada.

Padre Rufus que completaria 79 anos, neste domingo, 6, era conhecido no mundo todo por seu ministério de exorcismo. Ele foi vice-presidente da Associação Internacional dos Exorcistas e iniciou a Associação Internacional para o ministério de libertação. Ele esteve várias vezes na sede da Comunidade Canção Nova.

Biografia

Padre Rufus é sacerdote na Arquidiocese de Bombaim, Índia. Estudou Filosofia, Teologia e Sagrada Escritura em Roma, onde foi também ordenado em 1956. É doutorado em Teologia Bíblica.

Durante vários anos serviu como diretor de quatro escolas secundárias em Mumbai. Além de pregador de retiros, conferencista e professor de Bíblia, ele é também editor da Revista Nacional Carismática da India “Charisindia”. É professor de Sagrada Escritura em cursos de pós-graduação em vários Institutos Teológicos Pontifícios.

É também presidente da Associação Internacional para o Ministério de Libertação e vice-presidente da Associação Internacional de Exorcistas. Publicou numerosos artigos bíblicos e teológicos, especialmente, sobre evangelização e cura.

Conheceu a Renovação Carismática Católica (RCC), em 1972, logo quando esse movimento eclesial teve início na Índia. Foi designado pelo Arcebispo Cardeal Gracias para se dedicar exclusivamente a esse movimento. Desde então atua pregando em encontros, retiros e missões por todo o seu país e também pela Ásia, África, Europa e em alguns lugares na América Latina, como o Brasil, onde esteve várias vezes, inclusive na Comunidade Canção Nova.

Padre Rufus também é diretor do Instituto Bíblico Carismático Católico. Foi recentemente integrado ao International Catholic Charismatic Renewal Services (ICCRS), em Roma, como o responsável mundial pelo ministério de cura e libertação.

Se por um lado nos entristecemos, nos alegremos porque com certeza está na Casa do Pai.

Obrigado Pe. Rufus por ter nos deixado o legado da Cura Interior e da Libertação, tantos ensinos, tantas palavras de coragem e força, tanto testemunho de santidade!!!

Obrigado! Aprendi muito com o Senhor! Que Maria o Receba no seu abraço de amor!


Soube agora através do site da Fraternidade São Luchésio e Buonadona


domingo, 29 de abril de 2012

A fortaleza do Bom Pastor

Por Dom Alberto Taveira
Arcebispo de Belém/PA
Assessor Eclesiástico da RCCBRASIL

Os Bispos do Brasil, reunidos recentemente em Assembleia, mais uma vez se debruçaram sobre o valor infinito da Palavra de Deus, desejando transmiti-la sempre e com crescente profundidade ao povo de Deus. A Palavra de Deus é fonte inesgotável de vida para toda a humanidade. Como sempre faz, a Igreja quer empreender de novo, com crescente zelo, o anúncio da Palavra, que tem seu lugar privilegiado, para animar a vida de todos e o serviço apostólico a ela confiado. A chave que abre a porta da Escritura é Nosso Senhor Jesus Cristo, com sua morte e ressurreição, o mistério pascal que celebramos nos tempos que correm. Amar e conhecer a Cristo é nosso dever, nossa honra e nossa alegria, deixando-nos provocar por Ele!
A presença de Jesus suscitou e suscitará sempre interrogações e muita perplexidade. Nós o sabemos verdadeiro Deus e verdadeiro homem e podemos encontrar, além da graça redentora que só pode chegar através daquele que é Caminho, Verdade e Vida, a referência de valores a serem assumidos para uma vida plenamente humana e digna. A Igreja nos convida a olhar sempre para o Senhor, seguindo-o de perto, para fazer tudo o que disser!
Aproximemo-nos dele e da riqueza de sua personalidade. Em Nazaré, onde Jesus fora criado, as pessoas se interrogam a seu respeito: “De onde lhe vêm essa sabedoria?” (Mt 13, 54). Noutra ocasião, “surgiu uma divisão entre o povo por causa dele. Alguns queriam prendê-lo, mas ninguém lhe pôs as mãos. Os guardas então voltaram aos sumos sacerdotes e aos fariseus, que lhes perguntaram: Por que não o trouxestes? Responderam: Ninguém jamais falou como este homem” (Jo 7,43-46). Suas palavras, mais doces do que o mel, atraem as pessoas, mesmo quem tem a tarefa de prendê-lo. Tantas vezes quantas forem lidas, acolhidas e vividas, nelas se encontra a vida eterna. Seu som se espalha e ecoa por todo o universo.
Se buscarmos outro valor, como a beleza, aqui está: "Tu és o mais belo entre os filhos dos homens, sobre teus lábios difunde-se a graça (Sl 144,3)". “A Igreja lê o salmo cento e quarenta e quatro como a representação poético-profética do relacionamento esponsal entre Cristo e a Igreja. Reconhece Cristo como o mais belo entre os homens; a graça sobre os lábios indica a beleza interior da sua palavra, a glória do seu anúncio. Assim, não é apenas a beleza exterior da aparição do Redentor a ser glorificada: nele aparece muito mais a beleza da Verdade, a beleza do próprio Deus que nos atrai a si e ao mesmo tempo nos causa a ferida do Amor, a santa paixão (‘Eros’) que nos faz ir ao encontro, junto e com a Igreja-Esposa, ao Amor que nos chama” (“Beleza de Cristo”, Joseph Ratzinger/ Bento XVI).
Na festa do Bom Pastor, celebrada pela Igreja no Quarto Domingo da Páscoa, é possível descortinar algumas características da personalidade de Jesus (Jo 10,1-18). O Evangelho de São João apresenta três belíssimas parábolas, que vieram a ser consideradas como “Parábola do Bom Pastor”, no quadro do difícil confronto de Jesus com adversários ferrenhos que o pressionavam. De fato suas palavras “causaram nova divisão entre os judeus” (Jo 10,19).
A imagem utilizada por Jesus é a do pastor de ovelhas, rica de significado para o ambiente em que se encontrava, mas ainda atual em nossos dias. Ele é a porta das ovelhas: “quem entrar por mim será salvo; poderá entrar e sair, e encontrará pastagem” (Cf. Jo 10,7-9). Portas abertas, clareza para expressar as coisas, nada de complicações! Todos se impressionam com gente assim e se sentem atraídos!
“Conheço as minhas ovelhas e elas me conhecem” (Jo 10,15). Ele conhece cada uma das ovelhas pelo nome (Jo 10,3), é capaz de estabelecer relacionamento pessoal, não apenas com a massa! Todos são importantes para Ele e suas necessidades ressoam em seu coração.
“Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas” (Jo 10,11). Bondade e entrega de vida. Só quem é plenamente realizado e feliz pode chegar a tais alturas, pois é aquele que veio “para que tenham vida, e a tenham em abundância” (Cf. Jo 10,10). Jesus Cristo, acolhido e amado, oferece tudo o que as pessoas de qualquer tempo procuram.
Jesus olha longe, num grande horizonte aberto: “Tenho ainda outras ovelhas, que não são deste redil; também a essas devo conduzir, e elas escutarão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor” (Jo 15,16). Portas e janelas abertas, os confins da terra. o universo inteiro, se fechamentos e exclusivismos!
Nele, Nosso Senhor Jesus Cristo, está nossa vida e nossa missão. Hoje é o nosso tempo para conhecer sua voz e seguir aquele que vai à nossa frente (Jo 10,4). Entretanto, sendo limitados, parece-nos muito alto o ideal: dar a vida, conhecer pelo nome, dar exemplo, ir à frente dos outros, abrir-se para todos, enfim, acolher e espelhar a beleza e a bondade do Pastor! Sabendo disso, a Igreja nos leva a pedir com confiança: “Deus eterno e todo-poderoso, conduzi-nos à comunhão das alegrias celestes, para que o rebanho possa atingir, apesar de sua fraqueza, a fortaleza do Pastor”. Assim seja!

Fonte: ZENIT

sábado, 28 de abril de 2012

OS BENEFÍCIOS E EFEITOS DA ADORAÇÃO AO SANTÍSSIMO SACRAMENTO

Adorar Jesus no Santíssimo Sacramento, além de nos encher de alegria, também sentimos amadurecer nossa união com Ele; somos mais livremente conduzidos à celebração da Eucaristia e saudavelmente crescemos no amor a Deus e ao próximo. Em outras palavras, essa relação pessoal com o Senhor favorece um contínuo crescimento na fé e prolonga a graça do Sacrifício Eucarístico celebrado especialmente no Domingo(Dies Domini).
A Eucaristia estimula à conversão e purifica o coração. Reaviva nosso coração e nos impulsiona à celebração da Missa Dominical. O ato de adorar Jesus no Santíssimo Sacramento nos aproxima de Deus Pai, abre nosso coração para a ação do Espírito Santo faz arder nosso coração quando lemos as Escrituras, especialmente os Santos Evangelhos impulsionam-nos para irmos ao encontro dos irmãos, especialmente os mais necessitados, firma-nos como discípulos e nos faz ardorosos missionários. Nosso “encontro com o Senhor, presente na Eucaristia, amadurece também a missão social, que está encerrada na Eucaristia e deseja romper as barreiras não apenas entre o Senhor e nós mesmos, mas também e, sobretudo, as barreiras que nos separam uns dos outros “(Bento XVI).
A adoração ao Santíssimo Sacramento purifica e alimenta a comunhão entre os esposos; tonifica o ministério dos Pastores da Igreja e a docilidade dos fiéis ao seu magistério; os enfermos experimentam a comunhão com o sofrimento de Cristo; todos se sentem motivados a buscar a reconciliação sacramental para poderem comungar com proveito; a comunhão e a unidade são garantidas entre os múltiplos carismas, funções, serviços, grupos e movimentos no seio da Igreja; todas as pessoas empenhadas nas diversas atividades, serviços e associações de uma paróquia, são identificados por atitudes pautadas pelos valores do Evangelho e por uma espiritualidade de comunhão; e ainda, a adoração ao Santíssimo sustenta as relações de paz, de entendimento e de concórdia na cidade terrena, entre todos os seres humanos.
“Prostrando-nos diante da Eucaristia, aprenderemos de maneira certa o que significa comunhão, cultura do diálogo, vida solidária, serviço aos mais necessitados e respeito à dignidade humana”. Graças à iniciativa do Senhor que quis permanecer conosco podemos aprender dele as melhores lições. A busca incessante de muitos homens de hoje em responder às suas grandes perguntas não pode ser desvinculada da fé que nos faz prostrar diante de Jesus “simples” (DIEGO TALES). Portanto, “Permaneçamos longamente prostrados diante de Jesus presente na Eucaristia, reparando com a nossa fé e o nosso amor os descuidos, os esquecimentos e até os ultrajes que nosso Salvador deve sofrer em tantas partes do mundo” (Mane Nobiscum Domine, n.18).
No Documento para o Ano da Eucaristia, Nº 6, encontramos este salutar ensinamento: “A Eucaristia nos torna santos, e não pode existir santidade que não esteja encarnada na vida eucarística. “Quem come a minha carne viverá por mim” (Jo 6, 57).

Fontes: Livro Amigos de Deus

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Pequenas sementes que ajudam a edificar Nossa Casa

Estamos trabalhando na construção da nossa Sede Nacional. Aos poucos, ela vai crescendo para tornar-se um grande local de acolhida da família carismática. Mas para semearmos esta obra, são simples as campanhas realizadas para que consigamos juntos edificar a Nossa Casa, Nossa Bênção.
A campanha dos selos é como um grão de mostarda. Com um pequeno desprendimento material, você pode ajudar a fazer crescer uma frondosa construção. Assista ao vídeo abaixo e entenda que este simples gesto ajudará a construir a nossa Sede Nacional!

terça-feira, 13 de março de 2012

É tempo de ser fiel!

No Encontro Nacional de Formação, recebemos um desafio: sermos 10 mil colaboradores fiéis. Foram enviados os carnês de contribuição, com todos os boletos do ano, aos contribuintes já cadastrados cerca de oito mil unidades. No entanto, o número de colaboradores frequentes é muito menor que isso.
Mas o ENF foi espaço para que mais pessoas passassem a apoiar as nossas iniciativas de unidade e comunhão. A partir da apresentação dos projetos desenvolvidos pela RCCBRASIL, centenas de pessoas (ou mais de 350) realizaram o seu cadastro e começaram a contribuir.
Como é o caso de Simone Frutuoso, participante do Grupo de Oração Aliança, do Rio de Janeiro/RJ. Ela se sentiu motivada a participar depois que entendeu quais eram as propostas do Escritório Nacional. “Vi muita transparência nos relatos”, explica. Depois de já ter feito a contribuição do mês de fevereiro, ela conta que sentiu-se ajudando a obra de Deus: “Tudo acontece no tempo do Senhor, mas temos que fazer a nossa parte!”.
Sua fidelidade é preciosa!
A Renovação Carismática é formada por pessoas, um povo que busca construir, a partir do Movimento, o Reino de Deus em seu meio. É por meio das ações da sua gente que a RCC pode avançar: uma oração, um gesto missionário, uma palavra de acolhida.
Mas há momentos em que são necessários gestos um pouco mais concretos. Na próxima segunda-feira (12), ocorre o vencimento dos carnês de colaboração do projeto Semeando a Cultura de Pentecostes. Já na quinta-feira (15), é o prazo dos Grupos de Oração.
Este é o tempo de exercitar a sua fidelidade. Quando um novo cadastrado adere à colaboração, o Escritório Nacional passa a contar com a sua contribuição. Se essa pessoa não for fiel, não podemos avançar.
O pagamento dos boletos deve ser feitos até a data de vencimento nas agências da Caixa Econômica Federal ou nas casas lotéricas do banco. Caso não seja possível pagar até o prazo, a colaboração continua podendo ser feita nas lotéricas.
Quero ser colaborador!
Sua contribuição ao nosso trabalho de evangelização será muito bem-vinda... É graças ao apoio de milhares de carismáticos brasileiros que podemos manter diversas atividades que levam o nome de Jesus mais longe e fortalecem o nosso Movimento.
Colaborando com a RCCBRASIL, você recebe a cada dois meses a Revista Renovação na sua casa. Ela é a revista que todo o carismático deve ler! Além de proporcionar a edição da revista, o Portal RCCBRASIL, os programas de TV da RCC e diversas outras iniciativas de comunicação, como a WebRádio, fazem parte dessa grande rede de comunicação. As atividades missionárias também ganham impulso com a sua ajuda: as casas de Missão no Marajó/PA, em Pelotas/RS e Canas/SP são mantidas pelas contribuições.

Clique aqui e faça o seu cadastro como colaborador!

sábado, 10 de março de 2012

Cristãos de hoje: que marcas deixaremos na história?

Confira o artigo retirado da edição 72 da Revista Renovação:
É fato: os primeiros cristãos marcaram a história da humanidade. Em Pentecostes, inaugurou-se uma nova forma de se viver, surpreendente para os padrões da época. Com que palavras bonitas foram descritos aqueles homens e mulheres da primeira hora do cristianismo:
“Eles estão na carne, mas não vivem segundo a carne; moram na terra, mas têm suacidadania no céu; [...] amam a todos e são perseguidos por todos; [...] são mortos e, desse modo, lhes é dada a vida; são pobres, e enriquecem a muitos; carecem de tudo, e têm abundância de tudo; são desprezados e, no desprezo tornam-se glorificados; são amaldiçoados e, depois, proclamados justos; são injuriados, e bendizem; são maltratados, e honram; fazem o bem, e são punidos como malfeitores; são condenados, e se alegram como se recebessem a vida”(carta a Diogneto, n. 5). 1
Sim, nas origens, aqueles que eram “autenticamente” cristãos davam esse tipo de testemunho, tanto que muitos estudiosos, que se dedicam a analisar a vida das primeiras comunidades cristãs, atestam que a mensagem evangélica, a fraternidade vivida nos grupos e o testemunho de santidade, indo até o martírio, levaram muitos a aderirem à nova religião. Era uma novidade de vida que cativava! 2
Na sequência desse texto, o autor diz: “Em poucas palavras, assim como a alma está no corpo, assim os cristãos estão no mundo”. Os cristãos davam vida ao mundo!
E com quem aprenderam a ser assim? Com o Senhor Jesus, claro! Sim, os cristãos, verdadeiramente fiéis, estavam configurados a Jesus Cristo. Os da primeira geração tiveram a oportunidade de aprender pela convivência com o Mestre. Ouviram os ensinamentos dos lábios do Senhor. Viram como Ele agia. Já os cristãos das gerações seguintes tinham por base a Doutrina propagada pelos apóstolos.
E o que o Senhor ensinou? Instruções realmente desafiadoras a todos que se propõem a segui-Lo verdadeiramente. Vejamos alguns exemplos do que os evangelistas relatam e comparemos com o texto acima. Ele disse:
“Amai a vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, bendizei aos que vos maldizem, e orai pelos que vos caluniam. Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra; e ao que te houver tirado a capa, não lhe negues também a túnica. Dá a todo o que te pedir; e ao que tomar o que é teu, não lho reclames. Assim como quereis que os homens vos façam, do mesmo modo lhes fazei vós também. Se amardes aos que vos amam que mérito há nisso? Pois também os pecadores amam aos que os amam. [...] Amai, porém a vossos inimigos, fazei bem e emprestai, sem esperar nada em troca; e grande será a vossa recompensa, e sereis filhos do Altíssimo; porque ele é benigno até para com os ingratos e maus” (Lc 6,26-36).
Na sequência, Jesus diz: “Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso”. Ele associa essa grande lista de ações ao próprio agir de Deus, que “faz surgir o seu sol sobre os maus e sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os ímpios” (Mateus 5, 45-48). Nessa passagem de Mateus, Jesus diz com clareza que devemos ser perfeitos, como perfeito é o nosso Pai Celestial.
O Senhor está nos dizendo que devemos ser imitadores da natureza de Deus que é misericordiosa, que é perfeita. O cristianismo trouxe isso ao mundo. Em Jesus conhecemos quem é Deus de um modo que até então não se ouvira falar, e o que Ele quer de nós, seus filhos. Temos parâmetros para vivermos uma vida segundo o coração de Deus. Dos seguidores de Jesus, o que se espera é que busquem viver conforme a vida de Deus. Nada menos do que isso!
A lei do homem novo
“Amai-vos uns aos outros assim como eu vos amei”, eis o novo e revolucionário mandamento trazido por Jesus Cristo.
Jesus, o Filho, não apenas foi testemunha do amor de Deus para com os homens. Ele disse qual deveria ser a meta de nossas vidas. São Paulo também nos exorta nesse sentido, ao nos ensinar que devemos ter os mesmos sentimentos que estavam em Jesus Cristo (cf. Fl 2,5).
Aos efésios também fez semelhante recomendação: “Sejais, pois, imitadores de Deus, como filhos queridos, e vivei no amor, como também Cristo vos amou e por nós sacrificou-se a sim mesmo a Deus” (Ef 5,1).
“É um convite a caminhar no mesmo mundo que Cristo amou, com caridade, com a mesma disponibilidade de Jesus para doar-se a si mesmo, oferecendo-se em sacrifício a Deus”.3
É o amor que não se limita a discursos, belas palavras: “[...] esta imitação de Deus, esta identificação com Cristo, com o consequente amor recíproco, não são sentimentos cultivados no recesso do coração, mas em ação concreta”.4
E este amor profundo pelas almas “estimula o sentido do mútuo perdão, a solicitude pelos pobres, a efetiva caridade diante de qualquer necessidade”, ou seja, de todos aqueles que de nós precisarem por qualquer razão que seja. 5
Não há espaço para que reproduzamos aqui tudo o que o Novo Testamento nos ensina a esse respeito. Mas qualquer um que leia com abertura de coração o que os apóstolos deixaram registrado a respeito dos ensinamentos do Senhor terá de admitir que de nós é exigido muito. A nossa própria salvação está vinculada à obediência à Palavra de Jesus. Será com base Nela que seremos julgados. Teremos amado o suficiente? Agido como verdadeiros imitadores de Deus, de modo que ouçamos as maravilhosas palavras de Jesus: “Vinde benditos do meu Pai”? Para qual lado seremos mandados? Para a direita ou para a esquerda? (cf. Mt 25,31-40). Eis algo muito sério!
É desafiador viver como Ele ensinou? Claro que sim! Podemos até dizer que é bastante difícil. Mas quando Jesus prometeu que seria fácil? Ele mesmo disse que a porta que nos conduz ao Céu é estreita. Aliás, Ele também disse que para o homem é impossível salvar a si mesmo. Mas a Deus não! É por isso que não podemos desanimar. Não estamos sozinhos. É o Santo Espírito que nos dá condições ao seguimento de Jesus. O mesmo Espírito que esteve sobre Pedro, Paulo, João, Tiago... Que fez destes homens testemunhas, que os impulsionou. É o mesmo Espírito que recebemos em nosso Batismo e que experimentamos de forma inesquecível por meio do Batismo no Espírito Santo.
Agora é a nossa vez: viver com Ele viveu!
Diante de tudo isso que temos refletido, desde o texto anterior do Rogério Soares, nesta edição, podemos parar e pensar um pouco sobre a nossa vida.
Já vimos que há muitos registros históricos sobre os primeiros cristãos que revelam que eles eram seguidores de Jesus verdadeiramente. Mas o fato é que Pedro, João, Tiago - e tantos outros anônimos - estão na glória, e que hoje é a nós que cabe a tarefa que um dia, no passado, foi deles: difundir os ensinamentos de Jesus.
Mas... E se alguém observar e retratar o nosso estilo de vida, como irá nos descrever? Que imagem passamos aos que nos conhecem, convivem conosco?
Como nós, cristãos deste começo do terceiro milênio, seremos retratados na história? Que marcas deixaremos? Estamos sendo a alma do mundo?
Aquela voz que ecoou nas montanhas e planícies da Palestina há dois mil anos continua a falar ao coração de seus seguidores? Pauta seus comportamentos? Nossos pensamentos, sentimentos, ações são parecidos com os de Jesus Cristo?
Em quem nos espelhamos? Qual o papel dos Evangelhos em nossa vida? Eles guiam nosso agir? O que Jesus ensinou, nós buscamos fazer? Temos nos esforçado para isso?
É necessário que façamos essa autoavaliação com total realismo, porque temos o compromisso de dar testemunho de vida. Assim como foi no passado, esse é um dos eficazes meios de evangelização (EvangelliNuntiandi, n. 41). Pregar, mas não viver conforme o que se fala é ser falso profeta, nos ensina a Didaqué.6
Só seremos “rosto e memória de Pentecostes” se mostrarmos ao mundo a face do cristianismo autêntico. Somente se vivermos conforme os ensinamentos de Jesus, poderemos reimplantar uma cultura que já esteve fortemente presente na humanidade: a “Cultura de Pentecostes”.
De acordo com autor da Carta a Diogneto, os cristãos daquela época era típicos cidadãos desta terra, porém viviam com a plena consciência de pertencerem ao céu. Entendiam-se como peregrinos. Tinham a fé alicerçada na certeza da ressurreição.
E nós? Temos vivido bem nossa vida aqui, porém conscientes de que estamos em peregrinação? Que nosso destino é a Jerusalém Celeste? Temos levado as pessoas a desejarem o céu? A sonhar com a ressurreição? A almejar ver o Senhor face a face? Sobre isso há muito que se pensar. Assunto para a próxima edição. Até lá!

Lúcia Volcan Zolin
Coordenadora Nacional da Comissão e Ministério de Comunciação


1 - PADRES APOLOGISTAS. Carta a Diogneto. São Paulo: Paulo, 1995, p. 22-23.
2-Cf. HAMMAM. A. G. A vida cotidiana dos primeiros cristãos (95-197),
3 - Giussani, Luigi. Em busca do rosto do homem. Sel Editora, pg. 69.
4 - Idem
5 - Idem
6 - Documento considerado como sendo das primeiras comunidadescristãs, também conhecido como “Instrução dos Apóstolos”.